Vacinação e lockdown para conter a pandemia

Vacinação e lockdown para conter a pandemia

O Brasil enfrenta agora o pior quadro da pandemia do Covid-19 desde março de 2020, justamente quando teve início a vacinação. Portanto, é essencial que se compreenda que o lockdown e o isolamento social são realmente uma prioridade.

A vacinação contra o corona vírus no Brasil começou a há cerca de um mês e meio. Até agora, no entanto, pouco mais de 3% da população já tomou a primeira dose.

Os que receberam a segunda compõem um grupo ainda menor: menos de 1,5%. E enquanto isso, a infecção se espalha.

A estimativa é de que a vacinação em massa só será atingida na metade do ano que vem.

Entretanto, mesmo que a vacinação estivesse ocorrendo mais rapidamente, só isso não seria suficiente para conter a contaminação.

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Vacinação e lockdown  contra as mutações do vírus

Vacinação e lockdown são fundamentais para conter a pandemia. As medidas restritivas asseguram a eficiência da campanha de imunização da população.

A questão é que o contato entre vacinados e variantes favorece o surgimento de novas mutações do vírus, que se tornam resistentes ou mesmo imunes à ação da vacina.

Principalmente agora, com a nova variante P1 de Manaus, e o alto nível de infecção que o Brasil tem conhecido, as medidas de distanciamento social têm que ser realmente levadas a sério. Não há outro jeito.

O aumento da circulação de pessoas por relaxamento do isolamento favoreceu as variantes, que por sua vez podem ser mais transmissíveis e acelerar ainda mais a propagação da doença.

As mutações do vírus não surgem no vácuo. Elas aparecem justamente porque o vírus circula livremente, alerta a microbiologista Natalia Pasternack em rede nacional na televisão todos os dias.

E como anda a história das vacinas afinal?

Como tem acontecido em diversos países, inclusive no Canadá, o Brasil ainda não recebeu uma quantidade suficiente de vacinas. Em vários estados, a campanha de imunização foi interrompida por dias devido à falta de doses.

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Até agora, o país tem apenas duas marcas disponíveis, a Coronavac, pela parceria paulista do Instituto Butantã com a China, e a Oxford/AstraZeneca. Dest última, parte é produzida no Rio de Janeiro pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e parte é enviada pelo Covax Facility, o consórcio da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em março, o número de doses disponíveis deverá atingir cerca de 38 milhões, a maioria da Coronavac (23,3 milhões).

A principal fonte é a produção local, no Instituto Butantã, da vacina Coronavac, de onde viriam de doses. Os outros 5,7 milhões de doses serão da Oxford/AstraZeneca.

Mas esse número está longe de atender as necessidades de toda a população brasileira. Por isso o governo federal está buscando outras alternativas.

Uma delas é a Covaxin, desenvolvida pelo laboratório indiano Bharat/Biotech, que o governo já comprou. Só que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)ainda não liberou essa vacina. Falta vencer  algumas etapas, como estudos clínicos no Brasil.

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Que outras vacinas contra a Covid-19 o Brasil ainda pode comprar

A vacina da Pfizer/Biontech:

Essa vacina de produção americana e alemã tem 95% de eficácia, e já tem aprovação da Anvisa. Os laboratórios agora estão monitorando a reação da vacina às novas cepas do vírus.

O problema é que o Ministério da Saúde brasileiro ainda não se entendeu com os fabricantes em termos contratuais… Então, até que se contrate um seguro para assumir os custos de eventuais indenizações referentes à vacina, ficamos sem essa da Pfizer.

A vacina da Johnson & Johnson/Janssen:

Essa vacina, produzida pela Janssen, laboratório farmacêutico da multinacional norte-americana Johnson & Johnson, tem a vantagem de poder ser aplicada em uma única dose.

A vacina da Johnson’s tem mais de 82% de eficácia comprovada contra casos graves – inclusive contra a variante da África do Sul. Ela tem também a vantagem não precisar de conservação a temperaturas super baixas, como as outras. Armazenagem em geladeiras normais já servem.

Só que ela também ainda não recebeu o sinal verde da Anvisa, e também está enrolada em questões contratuais com o governo brasileiro, que vão exigir a intervenção do Congresso.

A vacina russa Sputnik V

É a que apresenta o mais alto índice de eficácia: 91,6% na última etapa de testes antes da aplicação em massa.

Porém, como todas as anteriores, para entrar no Brasil a Sputnik também depende de trâmites burocráticos… Mas pelo menos a Anvisa dispensou a realização de testes clínicos para essa fase 3 da vacina.

A Vacina Moderna

A outra vacina americana que está sendo administrada em duas doses nos EUA, e tem mais de 94% de eficácia. Todavia, como ela custa mais caro que a vacina da Oxford, as negociações estão demorando…

Dessa forma, se tudo der certo, o Ministério da Saúde espera poder contar com elas por aqui, mas só a partir de junho do ano que vem.

A vacina da Sinopharm

Outra vacina chinesa, parecida com a Coronavac. Essa 79,34% de eficácia, nas preliminares da fase 3. Os governos federal e estaduais (Bahia e Espírito Santo) ainda estão em conversas preliminares para negociar a vacina. A ver…

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Enquanto isso, o número de mortes pelo Covid-19 continua subindo e o sistema de saúde no país está à beira do colapso.

Assim, até que estejamos finalmente todos vacinados, só há uma maneira de deter a contaminação: a restrição total de qualquer tipo de aglomeração.

É tempo de se cuidar, de lockdown e medidas restritivas. Mais do que tudo, é tempo de bom senso, respeito e espírito comunitário. É assim que a Europa democrática e civilizada está conseguindo conter o vírus.

É hora de seguir o exemplo.

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