Fórmulas emagrecedoras, um risco cada vez maior

Fórmulas emagrecedoras, um risco cada vez maior

Nos últimos tempos, as redes sociais e o oportunismo comercial no Brasil têm incentivado uma combinação perigosa: a obsessão por perder peso rapidamente e as fórmulas emagrecedoras, um risco cada vez maior e mais acessível.

Não é à toa que médicos e nutricionistas estão constantemente chamando a atenção dos consumidores aos riscos desses recursos extremos. Por trás das promessas de resultados fantásticos, existe de fato um grande risco.

Essas fórmulas vêm muitas vezes camufladas como suplementos alimentares ou misturas vegetais. Contudo, elas em geral contêm substâncias inegavelmente muito menos inocentes.

Anfetaminas, diuréticos, laxantes, hormônios para a tireoide, tranquilizantes e até antidepressivos. Certamente, tudo isso junto, sem acompanhamento de médico controlado, é um coquetel explosivo.

Só em março passado, pelo menos duas pessoas morreram em consequência do consumo de produtos emagrecedores. Na sequência, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a proibição de 140 produtos desse tipo.

Mesmo assim, muitas fórmulas continuam à venda de forma indiscriminada.

Falta de bom senso

Em um país que 40% da população afirma querer investir na perda de peso, não é de se estranhar que muitos recorram a esse tipo de receita fabulosa.

Afinal, basta uma busca rápida na Internet sobre “como emagrecer. Num segundo aparecem milhares de resultados com informações sobre dietas, chás, pós, medicamentos, e muito mais.

À primeira, vista tais cápsulas podem até parecer inofensivas. Principalmente porque podemos compara-las  livremente na internet e até mesmo em farmácias.

Entretanto, isso não significa que sejam seguras.

Na verdade, não existem medicamentos ou suplementos saudáveis  que proporcionem perda de peso rápido. Só marketing – e irresponsabilidade.

Isso é o que ressalta a reputada nutricionista franco-brasileira Sophie Deram, pesquisadora e doutora pelo departamento de Endocrinologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

De acordo com Sophie, o culto ao corpo perfeito no Brasil contribui para que muitas pessoas estejam dispostas a emagrecer a qualquer custo. Por isso, as fórmulas emagrecedoras são um risco cada vez maior.

Falta bom senso, e em vários casos os consumidores nem sequer consideram que podem prejudicar a saúde e até a por em risco a própria vida.“Na nossa sociedade atual, essa obsessão por perder peso rapidamente parece mais importante do que qualquer outra coisa. Isso é assustador”, opina Sophie.

Perigo à venda

Os tristes exemplos do uso indiscriminado desse tipo de “solução” são cada vez mais comuns no Brasil.

Ainda assim,  segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os brasileiros são os que mais consomem remédios para emagrecer.

Segundo dados de uma pesquisa realizada pela Nielsen Holding na América Latina, 12% da nossa população faz uso  de fórmulas emagrecedoras. Apenas para comparar, a média entre os países pesquisados é de 8%.

Para Dra. Alessandra Rascovski,médica endocrinologista e fundadora do Ambulatório Clínico de Obesidade Mórbida do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo,  essa estatística é grave. “As pessoas precisam ter em mente que existem marcas de suplementos não confiáveis, que podem causar mais danos do que benefícios, inclusive fatais”, ressalta.

Ela revela que tais produtos podem conter ingredientes que não constam  no rótulo, podendo resultar em risco para a saúde. “Os consumidores buscam uma solução rápida. Mas, de forma isolada, nenhum chá ou cápsula emagrece, e não há evidência científica que diga o contrário”, informa a endocrinologista.

Como explica Sophie Deram, entre as principais complicações que não aparecem nas bulas de tais “pílulas do emagrecimento”, por exemplo,  esses remédios podem causar pressão alta, arritmias cardíacas, reações alérgicas, desidratação, insônia, problemas renais, hepáticos e vários outros.

Falsos resultados e riscos

“No início,  as fórmulas emagrecedoras podem até apresentar um falso resultado, pois geralmente proporcionam um choque para o organismo, que reage e pode, inclusive, favorecer a perda de peso, diz Sophie.  “Mas o problema é que a longo prazo elas não funcionam. E, muito pior,  podem trazer consequências gravíssimas para o corpo”, garante.

Ou seja, mesmo que os fabricantes desses produtos façam promessas extravagantes sobre as propriedades de seus medicamentos, a maioria dessas alegações não se apoiam em pesquisas clínicas.

Entretanto, é fácil se deixar enganar pelas propriedades “naturais” dos ingredientes vegetais. Há um mito de que medicamentos fitoterápicos não são prejudiciais, uma vez que são elaborados com substâncias vegetais. Mas não é bem assim.

Mesmo as cápsulas elaboradas com plantas podem fazer mais mal do que bem, quando não corretamente indicadas.

Existe uma famosa frase, atribuída ao médico e físico do século XVI Paracelso, que diz: “a diferença entre o remédio e o veneno é a dose”.

Até mesmo o boldo, folha presente em diferentes cápsulas de emagrecimento, é seguro quando consumido por apenas um curto período de tempo. Em quantidade excessiva, ou  consumido por mais de 30 dias, o boldo pode causar intoxicação no fígado, náuseas, vômitos e diarreia.

De fato, muitos produtos à base de plantas podem ser cancerígenos e/ou causarem intoxicação, e uma grande parcela da população não sabe disso. Assim, mais uma vez a desinformação faz das fórmulas emagrecedoras um risco cada vez maior.

 

Mercado de bilhões de dólares

Já que é assim,  por que as cápulas para emagrecer continuam sendo comercializadas?

Porque em todo o planeta, a busca pelo corpo dos sonhos movimenta bilhões de dólares. Não é de se estranhar que o marketing por trás desses produtos seja gigantesco.

No Brasil, a Associação Brasileira dos Fabricantes de Suplementos Nutricionais e Alimentos para Fins Especiais divulgou que o faturamento da indústria de suplementos no Brasil chegou a R$ 1,96 bilhão em 2018. Ainda de acordo com a entidade, de 2010 a 2019, a indústria registrou uma alta de 15% ao ano.

Além disso, estimativas apontam que o mercado de vitaminas e suplementos é um segmento que, em 2025, ultrapassará US$ 252 bilhões, o equivalente a mais de R$ 1.3 trilhão.

Não à toa, uma pequena pesquisa sobre fórmulas emagrecedoras na internet revela os milagres prometidos para todos os gostos, propósitos e crenças, ainda que tenham pouco ou nenhum benefício real.

O fato é que a menos que você esteja usando medicamentos para perda de peso prescrito e supervisionado devidamente por um médico de confiança, você pode estar se colocando em perigo ao usar esses produtos. Mas, curiosamente, a indústria não divulga isso.

Sistema inteligente

Perder muito peso rapidamente é uma agressão para o e a longo prazo não funciona.

Se tem uma afirmação repetida categoricamente pela renomada pesquisadora Sophie é que o organismo entende a perda de peso rápida como uma agressão, uma vez que não é saudável.

“Nosso corpo é um sistema muito inteligente e a longo prazo a tendência é que ele lute para obter esse peso de volta. Por isso, ao parar de usar essas cápsulas sem aplicar as devidas mudanças de estilo de vida no dia a dia, é bem normal a pessoa voltar a ficar até mais pesada do que antes”, afirma.

Ainda segundo a nutricionista, ao optar por emagrecer o melhor caminho é colocar a saúde e não o peso na balança. “Não existe uma fórmula mágica para ficar mais magro. Uma mudança de corpo efetiva e sustentável ocorre modificando o próprio comportamento e estilo de vida. Infelizmente nem todos têm paciência, pois os resultados são mais demorados”, comenta.

Magreza não é sinônimo de saúde

De acordo com a OMS Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social. Fatores frequentemente negligenciados pela sociedade moderna, que confunde magreza com ser mais saudável.

O que muitos esquecem é que qualquer pessoa pode conquistar hábitos alimentares e de vida mais saudáveis, mantendo uma alimentação balanceada e evitando sobrepeso, como nos lembra Sophie em seu livro “Os 7 pilares da saúde alimentar”.

Na obra, ela explica como deixar de lado as “dietas da moda” para, de fato, conseguir conquistar os resultados esperados.

Há inúmeros motivos para você estar acima do peso saudável ideal, e um deles pode ser apenas uma questão de maus hábitos.  “Seu corpo é a sua casa, o veículo que leva você aonde quiser ir. Ou seja, sua companhia em todas as ocasiões. Por isso, é fundamental cuidar bem dele”, afirma.

Também  é preciso entender seu cérebro. “Ele tem memória. Por esse motivo, a partir de um momento, ele vai levar você a compensar as restrições alimentares que a sua dieta impõe”, conta Sophie.

Soluções extremas, portanto, não  o enganarão. Ao contrário, vão causar ansiedade e insatisfação. “Sabe o que o cérebro mais quer? Saúde, bem-estar e paz”, completa a nutricionista.

Por isso, a pressa é inimiga da perfeição. Pois a paciência é o terceiro pilar descrito pela nutricionista.

“Não acredite em dietas ou suplementos milagrosos, pois mudanças drásticas não costumam levar a resultados sustentáveis. O corpo precisa de tempo para se adaptar às mudanças. Mas, mesmo que a perda de peso saudável e planejada leve mais tempo, isso traz resultados mais efetivos a longo prazo”, afirma Sophie.

Desse modo, as fórmulas emagrecedoras podem parecer um atalho atraente para se obter o peso ideal se muitos sacrifícios, mas na verdade, elas podem sacrificar a boa saúde, e isso, definitivamente, não é solução nenhuma.

 Fonte de prazer

Respeitar a fome também é essencial, assim como comer melhor, esclarece a nutricionista. “Obviamente uma dieta rica em alimentos de origem natural, que proporcionem uma alimentação fresca e caseira, com bastante variedade e qualidade é o ideal.

Mas não é preciso deixar de comer alguma coisa por medo de engordar ou pela culpa. “Você pode se permitir comer de tudo, mas não tudo”, ressalta.

Colocar em prática outras fontes de prazer que proporcionem bem-estar e ajudem a desviar o foco da comida também é uma excelente pedida.

A última dica, mas não menos importante é cozinhar e celebrar o momento da refeição. “Para elaborar uma receita é preciso estar mais envolvido com os alimentos, o que faz uma tremenda diferença na hora das escolhas alimentares”, diz ela. “A relação com o alimento se transformará por completo e é uma ótima maneira de fortalecer os vínculos familiares e sociais”.

Sem dúvida, quando se trata de perder peso, a maioria de nós sabe que a única maneira real de se conseguir é optar por uma alimentação saudável, praticar atividade física e cuidar do bem-estar físico e emocional. Porém, isso exige muito trabalho e paciência.

Por isso, todos os anos, milhares de pessoas compram pílulas de emagrecimento atraídas por alegações milagrosas de perda de peso rápida. Mas, como diz o ditado: se algo parece bom demais para ser verdade, provavelmente é.

Portanto, não se engane com a promessa das fórmulas emagrecedoras: viva bem  e coloque a sua saúde em primeiro lugar!

Com a colaboração de Thalita Mion

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